
Eu já perdi a conta de quantas pessoas me mandaram e-mail perguntando sobre a questão dos empregos aqui na Irlanda. Demorei para escrever esse post porque precisei pesquisar. Não é fácil falar sobre crise em um país que estou começando a conhecer. Também não poderia citar apenas os exemplos que vejo em Bray. Esse é um assunto sério. Sei que muitos se perguntam: Vou conseguir trabalho? A crise afeta os estrangeiros?
A verdade é que a Irlanda está, sim, em crise. Mas o pior já passou. Hoje de manhã minha professora no curso de inglês, a “Dee”, confirmou isso. Segundo ela, muitas famílias estão com dificuldades de pagar a hipoteca da residência, por exemplo.
Para explicar melhor a situação vou recorrer aos conhecimentos da economista Miriam Leitão. Segundo ela, o euro que está em crise. Citei em post anterior que a tendência é de desvalorização da moeda. Pois leia um trecho do que comentou a colunista do jornal O Globo, no final de fevereiro:
“Não é a economia brasileira que está na UTI. Os países em crise são Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda. O problema cresce na Europa. O que acontece é que esses países periféricos gastaram demais nos últimos anos. Fizeram pouco controle, aumentaram muito o déficit público e agora querem ser resgatados pelos outros países, que também aumentaram seus gastos por causa da crise. O problema é que a Europa transferiu muito dinheiro para esses países, em uma tentativa de equalização. (…) A Irlanda começou a cortar gastos nos salários“.
Segundo a brasileira Poliana G. Mateus Ojeda que mora em Dublin, e deixou seu depoimento no grupo de emails E-Dublin, em 2009 houve sim corte de salários e diminuição na carga horária em algumas empresas. Mas agora em 2010 não se houve mais falar em crise e os salários voltaram ao normal. “Mas o meu ‘feeling’ é que a poeira baixou, de verdade. Este mês já tivemos os salários restituídos e tudo voltou ao normal”, disse Poliana.
Resumindo, a União Europeia transferiu muito dinheiro para a Irlanda na esperança que o país melhorasse, criasse oportunidades de emprego, educação e tudo mais. Acontece que parte desse dinheiro foi usado para outros fins, o que fez a UE parar com as transferências. Brasileiros que estão aqui há mais de cinco anos dizem: “Aqui a gente encontrava dinheiro na rua”.
Segundo o Edu Giansante do E-dublin, esse ano de 2010 não teve queda se comparado a 2009, e de certa forma mostra uma estabilização da economia:
“Mas estabilizou em baixa, ou seja, a probabilidade é que acabe o ano estável (ainda bem baixa) para uma provável ascendência em 2011. Eu ainda acho que não reflete em vocês (quem está vindo ou chegou este ano), pois o pior já passou. Porém lembrem-se que a Irlanda esta também investindo em potenciais e profissionais que possam contribuir com formas alternativas de girar a economia. Tentem ficar atentos às notícias caso queiram vir pra cá a longo prazo. Para quem vem a curto prazo (1 ano) não se preocupem muito, não vai nem dar tempo de sentir”.
A Aline Carvalho que morou em Dublin e já voltou para o Brasil acredita que a famosa recessão da economia irlandesa não foi solucionada, mas o grande susto já passou.
“Cheguei em Dublin em novembro de 2008, no auge da crise financeira mundial. Para se ter uma idéia do estrago que a crise fez na minha viagem eu cheguei a pagar R$3,35 em cada euro. Os empregos que recheavam os anúncios enquanto eu pesquisava desapareceram. Permaneci um ano em Dublin. Trabalhei muito, mais do que deveria em algumas oportunidades, em troca eu ganhei experiência, viagens, amigos e muito conhecimento. Faria tudo de novo se preciso. Estejam sempre preparados pra tudo! Com ou sem crises as dificuldades surgem e ajudam no amadurecimento dos indivíduos. A principal dica é manter-se sempre informado”!
Essa semana conversei com o Ederson, um gaúcho, que mora aqui em Bray há 5 meses. Segundo ele, há emprego para quem está disposto a trabalhar e para quem tem alguma especialidade. Por exemplo, carpinteiro, açougueiro, eletricista, pintor. Para esse mercado existem sim vagas, ele garantiu.
Por outro lado ouço falar que agora não é hora de vir para Irlanda “ganhar dinheiro”. Mas se você tem como objetivo aprender inglês e conseguir um trabalho apenas para se manter vale a pena vir . Até porque na Irlanda o acesso ao visto de trabalho e estudo é menos burocrático e os cursos de inglês são mais em conta, mais barato.
Como já citei em outro post, comecei a trabalhar na minha segunda semana aqui. Agora a situação está mais complicada para quem deseja ser au pair aqui em Bray. Segundo a agência da minha escola, há mais procura que oferta. São cerca de 1o meninas para 2 ou 3 famílias. Há casos de meninas que aceitaram o trabalho de “demi au pair”. Elas trabalham para a família, mas não ganham salário semanal, apenas moradia e alimentação. Eu acho uma exploração, mas é a saída que elas encontraram para não precisar voltar. Esses são alguns casos. Se isso tem a ver ou não com a crise, não sei. A minha professora comentou hoje pela manhã que sim. Segundo ela algumas famílias estão endividadas com hipoteca das casas. Então o valor repassado pelo governo para auxiliar nas despesas com as criança acaba sendo utilizado para pagar a dívida.
Bem o post ficou extenso, mas espero ter colaborado. Sei o quanto essa questão de emprego preocupa quem está com planos de vir. Comigo não foi diferente.
25/03/2010 8:29 Jean Carlos @ID no Twitter Website