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Deixe seu comentário! Irlanda: risco de calote?

Por Gustavo Bonato em 27/ago/2010

Europa 410 Irlanda: risco de calote?

A agência de classificação de risco financeiro Standard and Poor’s reduziu a nota da dívida da Irlanda de “AA” para “AA-”.

O que isso significa? Significa que os analistas da S&P, uma empresa muito respeitada no meio financeiro, estão menos confiantes de que o governo irlandês seja capaz de pagar suas dívidas.

O que isso muda na sua vida? Não muita coisa, diretamente. Mas com certeza esse rebaixamento é sinal de que a economia da Irlanda não anda bem das pernas.

No Brasil a notícia não foi muito comentada, mas na Europa ganhou mais atenção. O site de notícias português iOnline publica uma análise bem interessante:

Em poucos anos, muita coisa mudou, para pior, na Irlanda. O país, que costumava ser apontado como exemplo de sucesso (…), deverá registar este ano o déficit público mais alto de que se tem registro numa nação da zona do euro. Seguramente, mais de 20% do PIB. E deverá acumular três anos consecutivos de recessão em 2011. Se o tigre celta, hoje ferido, não for bem tratado poderá mesmo tornar-se na próxima Grécia.

A bagunça das contas públicas, que tem sobretudo a ver com o salvamento de bancos privados com o dinheiro dos contribuintes, coloca em risco a retomada dos próximos anos. Em todo o caso, os economistas acreditam que o buraco orçamental altera pouco as capacidades de base da economia: uma população relativamente bem qualificada, um déficit externo mais ou menos controlado e a sua relação umbilical (e cultural) com o mundo anglo-saxónico, especialmente os Estados Unidos.

Mas o problema das contas e da dívida pública tem de ser tratado, dizem os observadores. (…) Ou o país reduz o déficit e promove uma maior transparência em torno dos seus bancos mais problemáticos (Anglo Irish Bank, nacionalizado no início de 2009, é o caso mais agudo), ou continuará a sofrer cortes no rating – o nível qualidade da dívida – podendo assim sofrer dificuldades sérias no acesso ao crédito, como aconteceu com a Grécia.

Em outras palavras, se o governo não resolver o problema dos empréstimos para bancos locais, colocando as contas em ordem, vai ficar difícil conseguir empréstimos no exterior. Foi mais ou menos o que aconteceu com a Grécia, onde – todos devem lembrar – as medidas de austeridade que foram necessárias após estourar a crise deixaram boa parte da população insatisfeita.

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