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1 comentário O euro tem futuro?

Por Gustavo Bonato em 26/mai/2010

A partir de hoje meu namorado, o jornalista Gustavo Bonato, passa a contribuir com alguns artigos para o Dossiê Irlanda.

r520550 2881520 O euro tem futuro?

Protesto contra medidas de austeridade na Grécia (AFP/Aris Messinis)

Não se surpreenda se você ouvir, cada vez com mais frequência, comentários de que o euro pode acabar a qualquer hora dessas. Para começar, a moeda não é tão unificadora quanto parece. Ela é usada em 16 dos 27 países da União Europeia. É evidente que isso inclui potências como Alemanha, Itália e França, mas países como Reino Unido e Dinamarca nunca aceitaram abandonar suas antigas – e estáveis – moedas.

Desde que o euro foi criado em 1995 e desde que chegou às ruas e às caixas registradoras, em janeiro de 2002, muitos economistas e analistas previam que ele iria sucumbir em pouco tempo. Não foi o que aconteceu. O euro é realidade na hora de fechar negócios e de comprar pão há cerca de uma década. Por outro lado, nunca se falou tanto nas contradições e inviabilidades de se manter uma moeda única reunindo países com situações econômicas tão diversas. A crise na Grécia só fez esse coro aumentar.

Um artigo de Dionísio Dias Carneiro, publicado no Estado de S. Paulo em 21 de maio analisa de forma interessante os problemas atuais:

A atual crise grega mostra a precariedade dos arranjos econômicos, diante da capacidade de que os líderes políticos dispõem quando, para tomar ou manter o poder, decidem usar o gasto público para capturar eleitores. Não hesitam em abusar do imaginário da população, desenhando com uma retórica falsa os contornos de um futuro melhor. Na Grécia, os socialistas de Papandreou ignoraram as restrições econômicas intertemporais, valendo-se do sonho da unidade europeia. Reafirmaram o discurso das promessas impossíveis, mesmo depois de soarem todos os sinais de alarme. Hoje, a população nas ruas incendeia bancos, recusa-se a abandonar os símbolos e cobra do governo as promessas, que requerem independência para gastar.

Os eventos das últimas semanas mostram que o futuro do euro não depende apenas dos políticos que abusaram dos benefícios da moeda única. Depende de um acordo entre os contribuintes alemães e os beneficiários dos programas gregos.

Já o economista Ricardo Amorim afirma que futuras erupções na Islândia podem abalar definitivamente a economia europeia e colocar o euro em cheque:

Políticas cambial e monetária comuns são incompatíveis com soberania política e fiscal no longo prazo. Nenhuma das medidas adotadas pela União Europeia até agora lida com essa incompatibilidade.

Talvez seja um vulcão que jogue uma pá de cal ou, mais precisamente, uma pá de enxofre na utopia da zona do euro e force a Europa a adotar uma nova forma de organização econômica. Seja bem-vinda a Revolução Vulcânica.

Esse assunto das possíveis novas erupções é aterrorizante. Vale a pena dar uma lida no artigo completo.

Há quem diga, por outro lado, que se o euro não morreu até agora, não morre mais. Um dos principais comentarias do Reino Unido, escreveu no The Times:

Agora está mais claro do que nunca que a moeda única vai sobreviver a este teste. E se a situação vivida nos países do Mediterrâneo continuar a se deteriorar, a experiência de quase-morte do euro irá acelerar a marcha para a criação dos “Estados Unidos da Europa” totalmente federalista.

O que esse sistema “federalista” significaria? Um artigo da Newsweek (cuja leitura completa eu recomendo) explica com uma comparação:

A diferença entre Europa e EUA é que os EUA são uma federação, e a zona do euro não é. Nos Estados Unidos, o Texas automaticamente injeta dinheiro e ajuda financeiramente Michigan através da redistribuição de recursos do governo e das receitas de impostos corporativos. O que a crise na Grécia revelou, tardiamente, é que essa centralização no setor de impostos é necessária para a união monetária.

A oferta de artigos que analisam a crise do euro é grande, quase infindável. O que o brasileiro que mora (ou vai morar) na Irlanda, um dos “primos pobres” da Europa, precisa ter em mente é que a instabilidade econômica não terminou e nem vai terminar tão cedo.

Comentários

28/05/2010 15:58 michele @ID no Twitter Website Reply

oiiieee!
guria tu tem msn?
eu vou pra irlanda em janeiro e ammoooooo ler teu blog, e fico cada vez mais apaixonada pelo lugar!
me add la..michelemachado7@hotmail.com

Tudo de bom pra ti!

bju

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