Muitas e muitas vezes já me fizeram essa pergunta. E esse post tem o objetivo de falar sobre a minha avaliação depois de oito meses morando, estudando e trabalhando na Irlanda. E algo é tão certo quanto dois mais dois são quatro: hoje eu falo inglês, eu sei me comunicar e isso valeu cada centavo e cada dia naquele país. É claro que além disso tem a aprendizagem em relação a cultura, o crescimento pessoal e outros fatores que como meu noivo diz, ainda irei descobrir.
Centenas de brasileiros que hoje como você estão pensando em fazer um intercâmbio se perguntam: será que vale a pena deixar minha família, meus amigos, meu namorado (a), minha situação de comodidade e ir para outro país? Será que vale a pena deixar meu emprego com salário certo, plano de saúde, vale alimentação e tudo mais? Será que em um ano eu irei mesmo aprender inglês? Eu respondo para vocês meus leitores: SIM VALE A PENA e sim você aprenderá muito mais do que imagina. Mas eu preciso alertá-lo (la) de um detalhe indispensável: você deve ir com a mente aberta, com vontade de aprender e principalmente sem receio ou medo de trabalhar. Fazer intercâmbio não é para qualquer pessoa. Garra, determinação, ousadia, humildade, empatia, flexibilidade, responsabilidade são apenas algumas das características que os vencedores devem possuir. Alguns vão e ficam apenas 1 ou 2 semanas, mas outros vencem seus propósitos e contam histórias felizes.
Eu tive dificuldades no começo e durante a minha estada, todos tem. Mas eu tentei enfrentá-las como degraus que iriam me levar ao topo. Em toda a nossa vida temos momentos desagradáveis, porque mudando para a Europa seria diferente? Hoje a minha cunhada me perguntou: “Zê, você demorou para se adaptar ao horário quando chegou?”, eu respondi para ela: “Olha confesso que esse detalhe passou despercebido pois eu tinha tantas novidades ao meu redor que o horário nem me incomodou”. E realmente isso acontece. Cada dia em um novo país vem um turbilhão de informações que muitas vezes é meio lento para processarmos.
Lembro que na segunda semana na Irlanda liguei chorando para o Gustavo (meu noivo) porque não conseguia entender as explicações do motorista do ônibus sobre o lugar onde eu queria chegar. Acreditem meus leitores eu tive que perguntar umas quatro vezes a mesma coisa e me senti a criatura mais ignorante do mundo por não saber algo tão simples. Outra situação que lembro muito bem foi minha primeira entrevista para au pair, até mímica eu fiz para a mulher me entender. O bom é que ela era paciente. Sem falar nas inúmeras vezes que eu fingia entender o que a minha host (dona da casa onde eu morava e trabalhava como au pair) me falava. Se ela fazia cara de feliz eu sorria, se ela fazia cara triste eu franzia a testa e fazia uma expressão de preocupada. Hoje eu dou risada, mas quando passei por isso pensava: será que eu nunca aprenderei esse inglês? E acreditem: aprendi. Meu inglês ainda não é fluente, não traduzo um filme sem legendas por exemplo, mas sei me comunicar. No meu último mês eu passei de uma simples requisitadora de informações para uma informante. Quantas vezes pessoas me paravam na rua para perguntar algo e eu me sentia um máximo em saber falar. E como foi legal quando levei uma amiga ao médico porque ela não sabia falar inglês. Nossa eu olhava para trás e pensava: realmente eu aprendi muito.
Como citei no início aprender inglês, é o principal mas junto a isso surgem experiências inesquecíveis. Nunca vou esquecer do sistema de transporte da Irlanda. É incrível o respeito que eles tem com os idosos. Umas das cenas que não saem da memória é de um senhor nos seus 70 e poucos anos usando bengala. Ele estava na parada o motorista parou, baixou o piso do bus (porque lá todos os ônibus tem suspensão a ar) e esperou esse senhor caminhar vagarosamente, encontrar um lugar e sentar. Só então o motorista partiu. Isso sem falar no espaço que eles tem para os carrinhos de bebês. Quantas vezes fui passear com a menina que cuidava e o motorista esperava eu entrar e arrumar o carrinho sem pressa nenhuma.
E é claro que muitas das sementes que plantei ainda serão colhidas. Mas uma certeza fica: aprendi a ver o mundo com outros olhos, com mais calma, mais serenidade e dar ainda mais valor para as pequenas coisas. E o melhor: valorizar os verdadeiros amigos e agradecer a Deus por sempre ter colocado as pessoas certas no meu caminho.
Leitores escrevi muito mais que o previsto. Vou parar por aqui porque caso contrário o texto fica muito cansativo. Espero ter ajudado.
Abraços e até o próximo post.
12/10/2010 23:09 Rodolfo Collin @ID no Twitter Website