
Em dezembro o governo irlandês anunciou algumas novas regras para estudantes, de fora da União Europeia, que pretendem estudar na Irlanda. Numa primeira análise, para o visto de “Language and Non-Degree” (idioma e não graduação) os requisitos continuavam os mesmos. O que estaria excelente, afinal muitas foram as especulações sobre as novas regras que entrariam em vigor em 2011. Mas existem, sim, mudanças pela frente. O site do Serviço de Imigração da Irlanda, através de um anexo, deixa bem claro que a partir de 01 de abril todo estudante de idiomas deverá comprovar que possui 3000 mil euros em sua conta bancária, para se manter (teoricamente) sem precisar apelar para trabalhos temporários.

A agência de classificação de risco financeiro Standard and Poor’s reduziu a nota da dívida da Irlanda de “AA” para “AA-”. Significa que os analistas da S&P estão menos confiantes de que o governo irlandês seja capaz de pagar suas dívidas. O que isso muda na sua vida? Não muita coisa, diretamente. Mas com certeza esse rebaixamento é sinal de que a economia da Irlanda não anda bem das pernas.

Sobre a questão de trabalho, digo o seguinte: quem realmente quer trabalhar encontra uma colocação. Mas tem que ter muita força de vontade e correr atrás. O “deixar para amanhã” não funciona por aqui. Conheço um grupo de cinco meninas que chegou há mais de um mês aqui em Bray. Depois desse período, três estão trabalhando (como au pair) e duas ainda estão procurando.

Não se surpreenda se você ouvir, cada vez com mais frequência, comentários de que o euro pode acabar a qualquer hora dessas. As lambanças de um governo em um canto da Europa (a Grécia, neste caso) podem ter repercussão imediata no canto oposto. Adivinhem onde? Na Irlanda, inclusive!

Sei que muitos se perguntam: Vou conseguir trabalho? A crise afeta os estrangeiros? A Irlanda está, sim, em crise. Mas o pior já passou. A União Europeia transferiu muito dinheiro para a Irlanda na esperança que o país melhorasse, criasse oportunidades de emprego, educação e tudo mais. Acontece que parte desse dinheiro foi usado para outros fins, o que fez a UE parar com as transferências. Brasileiros que estão aqui há mais de cinco anos dizem: “Aqui a gente encontrava dinheiro na rua”.

É incrível como o assunto “compras no supermercado” gera discussão. Alguns brasileiros que moram aqui em Bray vieram comentar comigo que 35 euros por semana, ou cerca de 100 euros por mês, como citei em posts anteriores, é um exagero para as compras da semana. “Jornalista! O valor é bem menor que esse”, disse o Igor.

O conceituado analista financeiro Miguel Daoud, disse à equipe do Dossiê, que os brasileiros devem esperar o máximo possível para comprar euros:
“A tendência do euro é de queda. Estimamos que 1 euro valera 1,28 dólares nos próximos dias. O que fazer? Quanto mais tarde comprar melhor”, afirma Daoud.

Comer fora é muito complicado. Além de ser bastante caro, a maioria dos pratos tem pimenta. Nas primeiras semanas, joguei dinheiro fora, pois comprei alguns pratos e não pude degustar. Tudo por causa da tal pimenta. É claro que com o tempo, aprende-se onde comer e o que pedir.